Equilíbrio é algo difícil de ser conceituado, visto que cada ser humano pode admitir uma noção distinta do que vem a ser o termo. Passo então a convencionar a qual noção de equilíbrio me refiro. Do Dicionário Aurélio, gosto particularmente do primeiro conceito que diz que equilíbrio é " o estado de repouso de um corpo solicitado por várias forças que se anulam". Para a sociologia o conceito é semelhante: "Equivalência de forças antagônicas num sistema fechado de inter-relação dinâmica". Sabendo que, num campo de forças dinâmicas que se entrecruzam, disperssam-se e atravessam-se, tornando difícil perceber as nuances marcadas de cada pensamento, o cenário social não nos permite acreditar num total equilíbrio.
Fato é que nunca seremos completos em tudo, a incompletude é da natureza humana. Precisamos então discernir algumas coisas e procurar compreender no passado as premissas para o futuro. Foi possível ver então, em minhas análises, que muitas das mazelas do mundo se dão pela falta de equilíbrio, ainda que este seja incompleto ou utópico. Posso, por exemplo, trazer como alusão ao tema, a questão da direita e da esquerda (tema que me debruçarei com mais afinco na continuação desta série de reflexões), que insistem em "partidarizar" o "impartidarizável'. Muito se foi perdido em termos de avanço do nosso país, pois os partidos de oposição, quando entravam no poder, queriam mudar tudo, inclusive o que vinha dando certo por mero orgulho partidário. Exato, falta-nos equilíbrio. Falta-nos equilíbrio em querer aproveitar certo modelo que tem dado certo, e incrementar com outras soluções reformadoras, que se contrapusessem às antigas que não vinham tendo êxito.
Esse equilíbrio foge ao senso comum do "meio termo" ou do "em cima do muro". Pelo contrário, o equilíbrio é a otimização das soluções que realmente poderão dar certo. Isso consiste em analisar minunciosamente cada atitude e cada pensamento. Cabe a esquerda entender o que há de bom na direita? Sim! Cabe a direita concordar com algumas ações da esquerda? Também sim, desde que em ambos os casos haja uma verdadeira coerência nas atitudes. Reitero, chega de partidarismo! Precisamos pensar! Precisamos parar e analisar! Nada mais educativo do que entender as consequências das diversas ações dos governos. Nada mais virtuoso do que, antes de proferir palavras viciadas pelas ideologias dominantes, buscar expandir o nível dos pensamentos com leituras analíticas sobre a história da política mundial. Resta a nós decidir se queremos ser mais um alienado que segue a manada política, ou se queremos admitir a individualidade e a racionalidade, expandindo a consciência política através do verdadeiro conhecimento.
Por fim, longe de ter as respostas para tudo, apenas me proponho a analisar os excessos, a entender os percalços políticos que geram as máximas partidárias. Quero abrir os olhos de quem me lê para que enxerguem que o equilíbrio está em entender mais a si mesmo e ao mundo, entendendo também, por conseguinte, todas as relações que se insiram na teia social. Quero lutar contra o engano intelectual. Desejo que os próximos textos da série gerem boas discussões sobre política e desejo que as minhas ideias não sejam o manual do politicamente correto, ou do padrão de política coerente, mas sim, desejo ser mais um opinador, que não corrobora com a brincadeira partidária, com o falso carisma, com as promessas infundadas, com o orgulho desvairado. Se possível for, gostaría de ser mais uma mente que tenta acordar os seus pares para o caminho da discussão consciente. E por enquanto é só.
Bem -vindos ao blog Política em (dis)curso. Esse blog tem a intenção de ser um espaço de reflexão sobre a realidade política mundial. No mundo pós-moderno, onde os conceitos se confundem, e as ações políticas de indivíduos e governos legitimam discussões cada vez mais filosóficas, um blog que pretende ser sítio de debates, questionamentos e elucidações, ganha finalidade e justificativa para existir. Há que se externalizar o que se pensa! A liberdade que nos foi dada tem que ser exercida, e por isso pretendo, através de simples textos, trazer para a realidade de cada um de vocês leitores, os arranjos e desarranjos do arcabouço político-social. Não causarei polêmicas, pois não estou preocupado em vender ideias, mas sim em entender a realidade do pensamento humano e de suas ações, pois é isso que a filosofia e a política tentam desde sempre. Como tudo o que vive, estou passível a mudanças. Posso transmitir, desde os berros, vigor e coragem de um jovem sonhador, até a serenidade, objetividade e temeridade daquele a quem o tempo abraça. De qualquer maneira, serei sempre aquele que fala. Aquele que o discurso nunca será calado. Mais uma vez, seja bem-vindo ao Política em (dis)curso. Essa é uma postagem de boas-vindas e apresentação do projeto. Espero ainda esse ano concluir a primeira reflexão para postagem. Estejam atentos!
