Existem coisas que são posteriores e outras que são simultâneas.  Geralmente, o que é simultâneo nos atrai mais a atenção, assim como os prazeres, majoritariamente da ordem do imediato. O que queremos de fato é sentir, como numa ânsia pela resolução do desejo. Não só por desejar sentir, mas também pelo ter, algo falsamente acabado, sendo menos uma questão de buscar o melhor de si próprio, do que apenas alimentar paixões temporárias. Sim, temporárias! Pois o que não é sólido não se perpetua no tempo.  Mas o ser humano é tendencioso para as coisas simultâneas, não que eu veja em todas elas o mal completo (algumas são dignas, como o próprio cuidar da saúde que é simultâneo à vida, tal como nos afirmou Aristóteles na Retórica), e sim percebo que faz parte da constituição da nossa natureza. Somos breves! Somos breves e muitas vezes levianos, pois sempre fundamentamos nossas decisões em paixões, em intuições, ou em qualquer coisa da ordem do puramente sensível. No entanto, existe algo da ordem do posterior, a saber, do que se solidifica aos poucos, paulatinamente. O conhecimento é algo dessa ordem, pois, como posterior à aprendizagem, necessita de tempo para se corporificar. O que me parece bastante razoável, pois a vida é tão corrida que, às vezes, afirmamos coisas “desconhecidas” por falta de paciência intelectual. Eu mesmo, no que diz respeito a isso, já muito fiz, “esbaforido” para poder dizer que sabia algo. Tenho aprendido a esperar mais, pois o conhecimento é como o fruto que amadurece com o passar das manhãs, que apesar das incoerências do tempo- entre chuvas, temporais e dias fervorosos de sol- resiste e se fortalece. 
       Conhecimento dói, mas nasce. A natureza clama pela fadiga, e que assim desistamos de persegui-lo. Mas eu insistirei, e quero eu que todos vocês, que eventualmente vierem a ler este comentário, também o façam. Não escrevo isso aqui aleatoriamente, tenho sentido certa preguiça nas pessoas quando o ponto em questão é pensar o mundo. Mas quando não pensamos nós mesmos, outros pensarão por nós, e corremos o risco de que essas pessoas não pensem direito. O mundo é deliberativo, sempre depois das discussões urgem as ações, e estas estão cada vez mais desesperadas. Enfim, sem mais delongas, busquemos o conhecimento, aventuremo-nos pelos caminhos da aprendizagem, e que nos tornemos, assim, opinadores em bom tempo, sem pressa, pacientes, e avessos a qualquer imediatismo.     

One Response so far.

  1. Bravo! Evitar o produtivismo sem qualidade é o segredo! O tempo aperfeiçoa aqueles que buscam a sabedoria e não apenas o conhecer superficial e imediato das coisas, da vida e do tempo! Abraços e vida longa ao blog, amor.

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